O som do vazio
— Cheguei!
Minha própria voz ecoou no corredor, mas o silêncio que veio em resposta foi como um soco. É estranho como a gente não nota o barulho da vida até que ele desaparece.
O porta-retratos na entrada ainda mostrava nós dois sorrindo em um acampamento da igreja, com os cabelos bagunçados e uma promessa no olhar que, agora, parecia uma mentira bem contada.
Caminhei até o quarto e vi que o lado dele da cama estava arrumado demais. Theo não levou apenas as roupas; ele levou o peso da nossa história.
Abri o guarda-roupa e o vazio nas gavetas me lembrou de uma passagem que eu sempre citava, mas que nunca precisei viver de verdade: "O choro pode durar uma noite...".
O problema é que a minha noite estava apenas começando, e eu não sentia que a alegria chegaria pela manhã.
Sentei no chão do quarto, encostada na madeira fria da cama. Tentei orar, mas as palavras pareciam presas em algum lugar entre o meu peito e o teto.
Como você conversa com Deus quando sente que Ele permitiu que o seu mundo desmoronasse?
— Por que agora, Senhor? Por que assim?
O único som no apartamento era o da chuva batendo na janela. Eu não tinha respostas, só perguntas e uma aliança que pesava uma tonelada no meu dedo.
Continuação capítulo 3